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Postado em 02 de Setembro de 2019 às 08h50

Cortar comprimidos ao meio pode trazer sérios riscos à saúde

O hábito comum de cortar comprimidos ao meio pode trazer sérios riscos à saúde e provocar até intoxicação

Cortar medicamentos ou modificar a forma do comprimido ou cápsula são práticas que podem ser prejudiciais à saúde. Tal atitude pode interferir no tratamento e, até mesmo, causar intoxicação e superdosagem. Os medicamentos são produzidos com tecnologias para que tenham o resultado esperado e com o menor efeito colateral possível. Quando o comprimido é cortado ao meio as características de sua formulação podem ser perdidas, alterando diretamente sua forma de ação.

?Existem outros riscos que devem ser levados em conta. Em contato com os materiais utilizados para repartir a dose, o medicamento pode ser contaminado. Além disso, não é possível garantir que as duas partes terão exatamente a mesma dose. Pode haver uma diferença de até 15% na quantidade de princípio ativo entre duas partes. Assim, comprometendo o tratamento?, explica o farmacêutico da rede de farmácias Extrafarma, Adriano Ribeiro.

A divisão só pode ser feita com orientação do médico ou de um farmacêutico. Além disso, Ribeiro ressalta que não devemos tomar medicamentos sem prescrição médica. Afinal, a automedicação também é muito prejudicial aos tratamentos de saúde. E o número de pessoas que se automedicam não é pequeno. De acordo com a pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros e 47% se automedica pelo menos uma vez por mês.

Para deixar o hábito de lado, conheça seis informações importantes sobre a ingestão de comprimidos.

Comprimidos sem revestimento podem ser cortados ao meio
Os medicamentos sulcados (com vincos que dividem o comprimido) não possuem revestimento e podem ser partidos quando o profissional de saúde precisa ajustar as doses dos medicamentos para alguns pacientes. Contudo, é preciso ter muito cuidado no momento de realizar o corte para não dividir errado. Nesses casos, o uso de partidores é recomendado.

Comprimidos revestidos merecem atenção redobrada
Nenhum comprimido revestido pode ser partido ao meio, mastigado ou triturado. Isso porque o revestimento serve justamente para fazer com que o medicamento seja resistente à forte acidez do suco gástrico e seja liberado lentamente, proporcionando mais comodidade para quem toma. Ao serem partidos ao meio, medicamentos desenvolvidos para liberar a substância ativa gradualmente no organismo podem perder o efeito ou fazer com que o corpo absorva uma dose maior que a indicada, ampliando o risco de casos de intoxicação.

Comprimidos devem ser ingeridos com água
Ao ingerir os comprimidos, o ideal é engolir o medicamento com água e de pé. A prática garante que o medicamento seja diluído e não fique preso ao esôfago. Em outras situações, quando a recomendação médica é que um medicamento seja tomado junto a outro líquido ou com a refeição, é provável que seu efeito seja muito forte, evitando dores de estômago, sobretudo nas crianças.

O horário de ingestão é um fator que deve ser considerado
O horário de tomada dos medicamentos deve ser respeitado, pois os intervalos entre uma dose e outra devem ser cumpridos para que o tratamento funcione e não haja riscos à saúde. Se o medicamento for ingerido em intervalos maiores do que o indicado, sua eficácia diminui. Caso o intervalo seja menor do que o prescrito pelo médico, também pode haver risco de intoxicação.

Medicamentos podem causar dependência
Alguns tipos de medicamentos, como analgésicos do tipo opióide, ansiolíticos e antidepressivos podem causar dependência química, e a interrupção de seu uso pode provocar sintomas característicos da abstinência. Além disso, com o passar do tempo pode ocorrer uma maior tolerância do organismo às substâncias presentes no medicamento, obrigando o paciente a usar doses cada vez maiores para obter o efeito desejado. ?Somente o uso com acompanhamento adequado é capaz de prevenir esses riscos, por isso a orientação de um médico ou farmacêutico é de extrema importância?, reforça o farmacêutico.

Fonte: Extrafarma

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