Quero ser cliente
Central de Vendas 0800 707 4774 ou 54 3544 1800
Postado em 03 de Julho de 2019 às 07h23

Senado reabre discussão sobre fracionamento

A proposta para tornar compulsória a venda de medicamentos fracionados nas farmácias e drogarias, por meio do projeto de lei 98/2017, foi reaberta pelo Senado e deve ser debatida ainda neste mês em audiência pública. Previsto em decreto de 2006 e em resolução da Anvisa do mesmo ano, o modelo que permite ao paciente adquirir somente o número de unidades indicadas na receita médica é visto com preocupação pelo varejo e pela indústria farmacêutica. O que pode ser interpretado como defesa do consumidor, na verdade, amplia a possibilidade de interrupção dos tratamentos.

?Em outros países, como nos Estados Unidos, o fracionamento envolve estudos de estabilidade e é feito em área segregada na farmácia. Aqui é cortar com tesoura a embalagem. Você pode perder a estabilidade e a rastreabilidade do produto. Você não sabe mais em qual lote isso foi feito?, afirmou Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, em entrevista à Folha de S.Paulo. ?Imagine um remédio para diabetes e hipertensão que o paciente toma um dia e não toma em outro??, questiona.

A opinião é endossada por Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, amparado por pesquisa do Datafolha encomendada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), segundo a qual 37% dos brasileiros declararam já ter reduzido a dose de remédio. ?O que vai acontecer quando alguém puder comprar menos? Se tenho R$ 8, o médico passou três, mas peço para levar um. Os benefícios não compensam os riscos.?

A Interfarma também contesta a viabilidade do fracionamento, destacando que a indústria passou a fabricar medicamentos com doses próximas às recomendadas pelos médicos. De acordo com a entidade, os casos de sobra são raros e, em boa parte, decorrem do hábito de interromper o tratamento quando há sinal de recuperação.
Apesar de se revelar favorável à medida, José Luis Maldonado, coordenador técnico-científico no CFF, tem dúvidas sobre os impactos para o uso racional de medicamentos e recomenda que o debate seja acompanhado por discussões sobre o papel do farmacêutico na orientação ao consumidor. ?Essa relação não pode ser apenas a de entregar uma caixa?, argumenta.

Elaborada em 2005, a proposta era defendida pelo então presidente Lula, sob a alegação de que muitos brasileiros mantinham remédios vencidos em casa. Logo após a resolução, algumas farmácias prepararam-se para a venda fracionada, mas dúvidas sobre a viabilidade operacional do modelo e o temor de elevar o custo ao consumidor travaram o processo.

Questionada sobre a lei que não pegou, a Anvisa diz que cabe às empresas registrarem esses produtos, uma vez que a adesão não é obrigatória. Segundo a agência, alguns medicamentos já possuem embalagens fracionáveis, embora não haja nenhum dado atualizado a respeito.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

Veja também

Conheça vacinas contra gripe aprovadas para 201919/03/19 Geralmente, as vacinas da influenza sazonal são modificadas a cada ano, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde. Seis vacinas contra gripe (influenza) tiveram aprovação da Anvisa para uso no Brasil, em 2019. Os produtos autorizados são os que fizeram a atualização das cepas do vírus da gripe, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Resolução RE 2.714, de outubro de 2018, da......
Girassol é símbolo de campanha para alertar sobre depressão03/09/19 Todas as manhãs o girassol parte em busca do sol, seguindo a luminosidade insistentemente, porque precisa dela para crescer e florescer. Mesmo quando o sol está escondido entre as nuvens, a flor gira persistente, apesar da dificuldade, em direção à luz. Em......
Venda de remédio ainda é um bom negócio, apesar da recessão10/09/19 As vendas de remédio até julho deste ano somam R$ 32,9 bilhões no Brasil. Remédios pra pressão e diabetes lideram as vendas No Brasil, foram comercializados 4,2 bilhões de caixas de medicamentos em 2018, o que representa em valores R$ 62,5 bilhões. Já em......

Voltar para Notícias